7 de mar de 2009

A jóia de verdade
Esperando na fila do caixa, a alegre menininha de cachinhos dourados e quase cinco anos de idade viu algo que chamou-lhe a atenção: um reluzente colarzinho de pérolas em uma caixa cor de rosa metálico.
— Compra pra mim, mamãe? Por favor, mamãe, por favor!
Rapidamente a mãe virou a caixa para ver o preço, e olhando para os olhinhos azuis que a fitavam como que rogando pelo presente, declarou:
— Custa um dólar e noventa e cinco centavos. Quase dois dólares.... Se você realmente quer esse colar, vou arranjar uns servicinhos a mais que você possa fazer e logo logo terá essa quantia. O seu aniversário é daqui a uma semana, e quem sabe se a vovó não vai lhe dar uma nota novinha de um dólar?
Assim que chegou em casa, Jane esvaziou o cofrinho e contou 17 cêntimos. Depois do jantar foi muito prestativa, fazendo mais do que suas obrigações. Foi à casa da vizinha, dona Mariana, e perguntou se poderia arrancar as ervas-daninhas da grama por dez centavos. No dia do seu aniversário, a avó lhe deu uma outra nota de um dólar, e ela finalmente tinha o dinheiro para comprar o colar.
Jane adorava as suas pérolas, e quando as usava sentia-se uma mocinha. Não as tirava do pescoço. Ia com elas para todos os cantos — à igreja, à escola, até dormia com o colar! Só o tirava quando ia nadar ou tomar um banho de espuma, porque a mãe lhe dizia que se molhassem, talvez manchassem o seu pescoço de verde.
O pai de Jane era bem amoroso e todas as noites, antes de ela ir dormir, ele parava o que estava fazendo e subia até o quarto para ler-lhe uma história. Uma noite, depois que ele terminou, perguntou a Jane:
— Você me ama?
— Claro que amo, papai. Você sabe que eu amo o senhor.
— Então me dê as suas pérolas.
— Mas papai... minhas pérolas não. O senhor pode ficar com a Princesa — o cavalinho branco da minha coleção. Aquele que tem o rabo cor de rosa. Lembra, papai? Foi o senhor quem me deu. É o que mais gosto.
— Tudo bem, querida. O papai te ama. Boa noite. — E com um beijo em seu rostinho, despediu-se.
Mais ou menos uma semana mais tarde, depois da historinha, o pai voltou a lhe perguntar: “Jane, você me ama?
— Papai, o senhor sabe que te amo.
— Então me dê as suas pérolas.
— Ah, papai, o meu colar não. Mas eu te dou a minha bonequinha. Aquela novinha que ganhei de aniversário. Ela é linda e te dou também o cobertorzinho amarelo que combina com o chinelinho dela.
— Tudo bem. Durma bem. Deus te abençoe, minha querida. O papai te ama. — E, como sempre, deu-lhe um beijinho no rosto.
Algumas noites depois, quando o pai entrou no quarto, Jane estava sentada na cama as pernas cruzadas, como um índio se sentaria. Ao se aproximar reparou seu queixo tremendo e uma lágrima rolando pela face.
— O que foi, Jane? O que aconteceu?
Jane não disse nada, só estendeu a mãozinha para o pai, e quando a abriu ali estava o tão amado colar. Um pouco trêmula, ela conseguiu dizer:
— É pro senhor, papai.
Contendo as lágrimas, o gentil pai, com uma mão pegou o colar barato, enquanto com a outra tirava do bolso uma caixinha de veludo azul onde se encontrava um colar de pérolas verdadeiras, que guardara todo esse tempo para dar à filha. Só estava esperando até ela estar disposta a abrir mão do colar barato para poder lhe dar uma jóia de verdade.
Bem semelhante à maneira como o nosso Pai celestial age conosco.
Existe algo do qual você não quer se desprender?

Não ajuntem riquezas neste mundo, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Ao contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e roubá-las. Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.
— Jesus (A Bíblia, Mateus 6:19-21, A Bíblia na Linguagem de Hoje)

Alice Gray (More Stories for the Heart) Extraído do site www.afamilia.org

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